terça-feira, 3 de agosto de 2010

Projeto: A Identidade sergipana nos textos que tratam das questões de limites territoriais entre Sergipe e a Bahia (1900-1930).

A Identidade sergipana nos textos que tratam das questões de limites territoriais entre Sergipe e a Bahia (1900-1930).

Coordenador do projeto.
Antonio Lindvaldo Sousa (*)
(*). Doutor em História(UNESP), professor de Temas de História de Sergipe I, II e III do DHI- UFS e líder do GPCIR- Grupo de Pesquisa Culturas, Identidades e Religiosidades. 

O propósito central desta pesquisa é identificar como se deu a construção da Identidade sergipana nos textos que tratam da questão de limites territoriais entre Sergipe e Bahia produzidos nas décadas de 1900 a 1930 e delinear, a partir desses textos, uma reflexão sobre o periodo colonial em Sergipe. 
Elaborar conhecimento histórico sobre como intelectuais sergipanos, nas primeiras décadas do século XX, construíram a identidade sergipana, nos textos que tratam da questão dos limites territoriais entre Sergipe e a Bahia, bem como, perceber nos mesmos o enfoque dado ao período colonial.
Os objetivos específicos são:
1) Fazer a digitalização e fichamento dos seguintes textos que tratam da questão dos limites territorias de Sergipe nas décadas de 1900 a 1930: 1) Sergipe-Bahia. Questões de Limites; 2) Pelo Direito e pela História de Sergipe; 3) Limites de Sergip; 4) Bahia-Sergipe, a questão de limites; 5) História dos limites entre Sergipe e Bahia; 6) Das Origens de Sergipe à Vitória de Belo Horizonte; 7) Limites de Sergipe e Bahia; 8) A Capitania de Sergipe e suas ouvidorias; 9) Limites de Sergipe- discussões sobre louvados; 10) Limites de Sergipe. Memória sobre os limites do Estado de Sergipe como o da Bahia e 11) Limites do Estado da Bahia (Bahia – Sergipe)
2) Compreender quem seriam os autores desses textos que tratam das questões de limites de Sergipe com a Bahia: padre João Mattos, Elias Montalvão,  Rafael Montalvão, Carvalho Lima Junior, Manuel dos Passos de Oliveira Teles, João Pereira Barreto,  Ivo do Prado, Gervasio Prata e  Braz do Amaral
3) Entender que esses pesquisadores sergipanos reforçaram ou redefiniram a identidade sergipana nos embates como os textos dos autores baianos.
4) Apreciar a argumentação dos historiadores sergipanos a explicação dos autores baianos que as fronteiras baianas foram ampliando-se com a expansão da cristandade, tendo os párocos como agentes importantes dessa empreitada, como foram os agentes criadores de gado.
5) Interpretar a construção da identidade do sergipano nesses textos como parte da discussão sobre os limites de Sergipe com a Bahia de interesse do Estado e de representantes políticos no Congresso Brasileiro e seus embates com as autoridades políticas da Bahia.
6) Compreender que também essa construção da identidade do sergipano é parte de um conjunto de sentidos, de significados, de símbolos, de eventos que vão dizer e tornar visíveis o próprio Estado Sergipano e as elites nas primeiras décadas do século XX.
7) Perceber o IHGSe como instituição que vai se dedicar ao estudo do passado colonial, destacando as questões de limites de Segipe com a Bahia e ao mesmo tempo construindo e definindo imagens de quem seria o sergipano.
8) Identificar como o passado colonial sergipano foi retratado nesses textos, incluindo quais os lugares de pesquisas e fontes utilizadas pelos autores.
Fontes e  Metodologia
Para o desenvolvimento desta pesquisa, será perscrutados os onze textos dos autores que trataram da questão das fronteiras entre Sergipe e a Bahia nas primeiras décadas do século XX que se encontram como parte do acervo da Biblioteca Epifânio Dória,  Biblioteca Central da UFS e do arquivo do Instituto Histórico e Geográfico de Sergipe. Também será consultado os artigos das revistas do IHGSe, as Mensagens do governos nas décadas de 1910 a 1930 e textos de História de Sergipe que tratam dessas primeiras décadas do século XX onde os textos foram produzidos pelos respectivos autores. Todos essas obras devem ser fichados conforme o modelo que se encontra em anexo neste projeto e a digitalização dos mesmos devem ser feitos por máquina fotográfica, sendo que o autor desse projeto dispõe desse aparelho. Após a digitalização, os arquivos devem ser salvos na extensão em “pdf”e dispostos em cds.
O Elemento chave para o desenvolvimento desta pesquisa é o conceito de identidade. Este trabalho concebe o conceito de identidade como um produto cultural, algo de transitório e conjuntural, em devir constante, um processo, e não algo de essencial, fixo, imutável, que está dentro de nós à espera de ser descoberto. As identidades  não constituem  como algo sólido, natural ou imutável. As pessoas, de modo geral, estão expostas as várias comunidades de idéias e princípios e as adversidades, os embates com o outro. Essa situação irá ressaltar ou atenuar as suas identidades e diferenças de acordo com a situação em que estão envolvidas. (HALL,2003) .
Stuart Hall entende que existem três conceitos muito diferentes de identidade que foram construidos desde a moderninade até os dias atuais.  O primeiro deles, refere-se a concepção de identidade do sujeito do Iluminismo; o segundo do sujeito sociológico e o terceiro do sujeito pós-moderno.
Somente a concepção de identidade do sujeito do Iluminismo se aproxima do conceito de identidade defendido pelos intelectuais que descutiram o problema das fornteiras de Sergipe com a Bahia. Para Hall  a identidade do sujeito iluminista baseava-se num “indivíduo totalmente centrado, unificado, dotado das capacidades de razão, de consciência e de ação, cujo centro consistia num núcleo interior, que emergia pela primeira vez quando o sujeito nascia e com ele se desenvolvia, ainda que permanecendo essencialmente o mesmo [...] ao longo da existência do indivíduo” (HALL, 2003:10-11). O intelectual que pensa na perspectiva do conceito de identidade do sujeito iluminista não enxergava que esse coneito é um produto cultural, algo de transitório e conjuntural, como acima nos referimos.
Provavelmente em decorrência das transformações sociais que estavam ocorrendo, constata-se que durante a República Velha acentua-se a tendência de pensar a organização da sociedade e do Estado no Brasil e de discutir a questão da nacionalidade e da região em nosso país. O conceito identidade vai ser constituido a partir de algo considerado essencial, fixo e imutável. A intelectualidade desse periodo encontra essa delimitação na ordem geográfica, histórica, biológica e social. 
No tocante a leitura das fontes, somos influenciados por Carlo Ginzburg que se utiliza do “paradigma indiciário” onde há o interesse de recuperação dos indicios, dos detalhes e dos pormenores encontrados nos documentos. Os textos impressos são documentos onde os autores deixaram rastos, pistas de informações bastante visiveis e, também, muitas vezes, não tão explicitas ou ditas.
Porém, todas as pistas, expostas ou não nos textos, servem-nos  como “chaves” explicativas na compreensão de como a identidade do sergipano foi construida e do como esses mesmos textos abordaram o periodo colonial em Sergipe. 

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